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  • Felipe Lando

Ansiedade e saúde mental (em época de coronavírus) – Entrevista com a Psicóloga Priscila Cunha

Olá acadêmicos e acadêmicas! Tudo bem?

Sabemos que nesse período de crise por causa dos avanços do COVID-19 (Coronavírus), a vida tem saído completamente da rotina. O distanciamento social (medida preventiva para a redução da proliferação do vírus) tem sido imposta a bilhões de pessoas no mundo e tem forçado as pessoas a aderirem a novas rotinas e novos hábitos.

No entanto, nós pesquisadores e pós-graduandos, temos que lidar com isso em um contexto de muito mais pressão. Como é visto constantemente na mídia, a pós-graduação aumenta os níveis de estresse e ansiedade dada a grande carga de leituras e as exigências do processo.

Mas como manter a saúde mental em meio a essa reviravolta que estamos vivendo? Como criar rotinas em casa tendo que manter uma certa produtividade e ainda lidar com a família (que agora passa o dia inteiro conosco)? Em que momento devemos procurar ajuda de um profissional da saúde?

Essas e outras perguntas foram respondidas pela psicóloga Priscila Cunha em uma entrevista que fizemos com ela ao vivo no Instagram da Acadêmica.

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As seguintes perguntas foram feitas à Priscila. Ela nos respondeu por e-mail e posteriormente na entrevista ao vivo.

Acadêmica: Quais são os sentimentos que poderemos vivenciar neste momento de isolamento social/físico? Como lidar com eles?

Priscila: Somos seres sociáveis por natureza! Nascemos um uma família ou instituição e nos desenvolvemos a partir do olhar do outro. Seja dos pais ou cuidadores que ali estiverem. No caso atual, ficar isolado compulsoriamente pode sim trazer um sentimento de ansiedade, inquietação, alterações físicas e isso é esperado. É o nosso cérebro reptiliano em ação! Quando encontramos um leão na nossa frente, o que fazemos? É quando o cérebro reptiliano é acionado e sentimos o instinto de fugir, de lutar e alguns ficam paralisados. Cada pessoa vai reagir de uma forma, de acordo com sua história de vida, suas experiências. As preocupações internas se intensificam. Ficamos mais atentos ao nosso corpo e qualquer sinal de dor pode estar exacerbado, afinal estamos sim correndo um risco real de adoecer. Outras preocupações vêm das obrigações sociais e econômicas, se vou continuar recebendo minha bolsa, se vou conseguir pagar as contas, medo de sair para comprar itens de necessidade básica. E neste momento precisamos ter paciência... aceitar nossa limitação, nossos medos, respirar fundo e usar um espaço de tempo para se acalmar. Nesse espaço de tempo podemos fazer uma vídeo-chamada, dividir a angústia com alguém querido, não é por ser virtual que será menos afetuoso. Vamos ser sinceros, que vontade de abraçar, de tocar o outro, de ficar no sofá com os amigos dividindo o mesmo copo. Mas é uma questão de preservação da espécie. É muito primitivo. Então cada pessoa vai reagir de uma forma e nunca as redes de comunicação on line serão tão úteis na nossa vida.

Acadêmica: Se já existia algum problema prévio, como essa nova realidade pode agravar isso?

Priscila: Pacientes com diagnóstico precisam manter contato com seus profissionais de saúde. Há uma mobilização de médicos e psicólogos para manter o atendimento on-line. Não podemos esquecer que os preceitos éticos devem ser preservados, no caso da psicologia o Conselho Federal tem regulamentações específicas para o atendimento à distância, mas é uma ferramenta que pode orientar o paciente e reduzir significativamente os sentimentos desagradáveis despertados nesse momento. Se já passamos por episódios e temos uma pré-disposição é de suma importância organizar nossa rotina, nossa medicação e nossa rede de apoio. Se estiver em isolamento total, agendar encontros virtuais periódicos com amigos e familiares. A manutenção do tratamento precisa ser mantida, muitos pacientes são resistentes ao atendimento à distância, eu costumo auxiliar na desmistificação, pois é claro que não teremos a intimidade o atendimento presencial, mas nesse momento o benefício em manter o tratamento à distância é incalculável. O profissional pode auxiliar na organização da rotina, auxiliar na disciplina que precisaremos intensificar e no monitoramento do estado geral de saúde.

Acadêmica: Pressão, ansiedade, tristeza, angústia são sentimentos normais na vida. Em que momento devemos pr