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  • Felipe Lando

Como fazer o método (metodologia) da dissertação ou da tese?

Atualizado: Jun 18

Método de pesquisa, ou erroneamente chamado de metodologia de pesquisa, é o capítulo da sua dissertação ou tese que tem como objetivo entregar ao leitor o COMO da sua pesquisa.


Aqui, você precisa apresentar os passos e as escolhas que vão levar aos seus objetivos (apresentados na introdução). Por isso, é muito importante apresentar neste capítulo pontos coerentes com suas abordagens e com os objetivos do seu trabalho. Caso contrário, você pode estar cometendo uma falha fatal.


Um exemplo de falha fatal muito comum é ter um objetivo positivista e adotar uma abordagem interpretativista. Como são aproximações epistemológicas diferentes, essa escolha pode fazer com que seu trabalho não seja aprovado nem publicado.


Quais são as possibilidades de métodos e como podemos escrever este capítulo do trabalho?


Fizemos um vídeo sobre como escrever o capítulo de método. Assista o vídeo para saber, na prática, como escrever o capítulo de método do seu trabalho (clique na imagem se quiser assistir).



Conhecendo os tipos de método


Primeiramente, vamos explorar um pouco os principais tipos de pesquisa. Você vai se posicionar, no capítulo de método, com relação a algum desses tipos, apresentando o que vai direcionar a forma como você vai coletar e analisar os dados.


Tipos de pesquisa


A seguir, apresentamos os diversos tipos de pesquisa com relação à abordagem, à epistemologia, à natureza, à forma de análise dos dados e aos procedimentos.


Quanto à abordagem


  • Pesquisa qualitativa: temos um post especial só sobre pesquisa qualitativa (clique aqui para ler mais). De modo geral, é a pesquisa que se baseia em fenômenos únicos e inseparáveis de seu contexto. Esse tipo de pesquisa não busca a generalização dos resultados e depende muito da experiência dos participantes.

  • Pesquisa quantitativa: temos um post especial só sobre pesquisa quantitativa (clique aqui para ler mais). Esse tipo de pesquisa se embasa em números para análise estatística de relações de causa e efeito, ou para descrever as características de uma amostra/população. Essa pesquisa pode ser usada para fins de generalização dos resultados.

  • Podemos misturar as abordagens? Sim, e a Amália gravou um vídeo dedicado especialmente a explicar o que é a abordagem mista de pesquisa. Clique aqui para assistir!


Quanto à epistemologia (forma como o fenômeno será compreendido)


  • Positivista: a pesquisa que adota esta abordagem entende que a realidade é “dada”. Ou seja, você pode ir na realidade e olhar o que está acontecendo, assumindo que todas as pessoas vão entender ou visualizar aquele fenômeno da mesma forma. Essa abordagem é, normalmente, adotada por pesquisadores que pretendem elaborar modelos ou “frameworks”.

  • Interpretativista: entende que a realidade é individual de cada ser e é construída através dos significados. Esse tipo de pesquisa se baseia em como cada pessoa consegue enxergar o mundo e se relacionar com as coisas. Esses trabalhos adotam uma perspectiva mais voltada a compreender os significados do fenômeno para cada participante.

Existem diversas aproximações epistemológicas. Porém, essas são as mais conhecidas. Quer saber mais sobre as diferentes abordagens epistemológicas? Confira esse episódio de Pesquisa na Prática (clique na imagem para acessar).


Quanto à natureza


  • Pesquisa pura (teórica): essa natureza de pesquisa é mais dedicada a avançar a teoria, propondo grandes discussões e o aprofundamento de conceitos.

  • Pesquisa aplicada (prática): é normalmente utilizada para desenvolver soluções práticas aplicáveis para a sociedade.


Quanto à análise dos dados


  • Pesquisa exploratória: esse tipo de pesquisa busca explorar e conhecer um fenômeno ainda pouco estudado. Tem o propósito de proporcionar maior familiaridade com o problema, tornando-o mais explícito ou utilizando-o como base para construir hipóteses.

  • Pesquisa descritiva: esse tipo de pesquisa tem por objetivo descrever um fenômeno pouco estudado e apresentar suas características e dimensões.

  • Pesquisa explicativa: nesse tipo de pesquisa, o(a) pesquisador(a) busca identificar fatores que determinam ou contribuem para a ocorrência de fenômenos.


Quanto aos procedimentos


  • Pesquisa experimental: o(a) pesquisador(a) realiza experimentos com grupos distintos, manipulando variáveis e testando suas relações.

  • Pesquisa bibliográfica: o(a) pesquisador(a) faz uma pesquisa baseada apenas em artigos e livros já publicados, não dependendo de coletar dados de outras fontes ou do campo.

  • Pesquisa documental: aqui, o(a) pesquisador(a) vai coletar dados. Porém, apenas de documentos, notas, leis, entre outros. Esse tipo de pesquisa se baseia em dados secundários (aqueles que já foram documentados por outra pessoa, mas que podem ser realizados ou utilizados em outras pesquisas).

  • Survey ou levantamento: esse tipo de pesquisa vai coletar dados quantitativos por meio da aplicação de questionários com escalas numéricas e perguntas fechadas.

  • Estudo de caso: esse tipo de pesquisa é mais utilizado por pesquisadores qualitativos, pois se propõe a estudar um fenômeno ainda pouco explorado em seu contexto natural. Essas pesquisas se aplicam quando o fenômeno é raro ou representativo de algum contexto. Se quiser saber mais sobre estudos de caso, confira esse post que fizemos.

  • Observação participante ou não-participante: aqui, o(a) pesquisador(a) vai coletar dados por meio da observação do fenômeno pesquisado. Essa observação pode ser por meio de participação no contexto ou apenas ficar olhando e anotando, sem interferir.

  • Pesquisa-ação: esse tipo de pesquisa exige que o(a) pesquisador(a) aplique mudanças em um contexto e estude seus impactos ao longo do tempo, chegando a uma solução para um problema da sociedade.

  • Pesquisa etnográfica: a pesquisa etnográfica ocorre quando o(a) pesquisador(a) começa a fazer parte de uma nova cultura ou sociedade, se inserindo nessa cultura e conduzindo um estudo com base em sua vivência.


Como estruturar o capítulo?


O capítulo de método precisa conter algumas partes obrigatórias e importantes. Caso contrário, não estará completo.


Vale lembrar que a estrutura que estamos propondo é apenas uma sugestão (que segue as normas ABNT para trabalhos acadêmicos), mas você deve sempre seguir o padrão proposto pelo seu programa de pós-graduação ou sugerido pelo(pela) seu(sua) orientador(a).


A primeira parte do seu capítulo será destinada a delimitar a sua pesquisa. Aqui, você deixa claro ao leitor qual abordagem irá utilizar, qual natureza, qual objetivo e quais procedimentos. Para isso, será necessário escrever um parágrafo para cada escolha.


Posteriormente, na segunda parte, você precisa apresentar e descrever a forma como vai coletar os dados. Quais técnicas de coleta serão/foram adotadas, quem serão/foram os participantes, que instrumentos você utilizará/utilizou, e como garantir a veracidade e a confiabilidade dos dados. Aqui, você apresentará as etapas do seu trabalho: quantas coletas, com que públicos, como as coletas se complementarão...


Um parágrafo para cada tópico é o ideal.


Por último, na terceira parte, mas não menos importante, você precisa descrever como fará (ou como fez) as análises dos dados. Qual técnica de análise, se vai utilizar/utilizou software e qual, como os dados serão descritos, se vai comparar com a teoria, quais cálculos irá fazer.


Aqui, será necessário algo em torno de 3 parágrafos.


Pode ser que seu programa exija, também, um desenho de pesquisa. Esse desenho será uma representação gráfica das etapas da sua pesquisa, devendo detalhar cada passo significativo que você vai fazer.



Em resumo, o capítulo de método é a parte mais importante do seu trabalho, pois é onde os avaliadores mais irão questionar e focar esforços. Por isso, sempre tenha em mente as três partes fundamentais do seu capítulo de método e sempre deixe bem claro quais são suas intenções com a pesquisa. Assim, os avaliadores poderão contribuir com você e com o seu trabalho.


Espero que tenha gostado do post e espero te encontrar em outros posts aqui do blog.


Um abraço,

Felipe da Acadêmica

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