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Seleção de participantes na pesquisa qualitativa

Há muita confusão quando a gente fala de seleção de participantes na pesquisa qualitativa. Isso acontece principalmente porque a lógica para a seleção de participantes para obtenção de dados qualitativos é diferente da amostragem, técnicas utilizadas para obtenção de dados na pesquisa quantitativa. Quer saber mais? Confira o episódio de Pesquisa na Prática no nosso canal no Youtube (clique na imagem) O objetivo da pesquisa quantitativa é generalizar, estatisticamente, os resultados. Porém, na maioria dos casos, fica inviável coletar dados com toda a população, pois isso levaria muito tempo e necessitaria de recursos financeiros. Assim, na pesquisa quantitativa, utiliza-se uma amostra de pessoas para, a partir de cálculos estatísticos, determinar o quanto aqueles resultados representam o todo da população. Na pesquisa qualitativa, a lógica é outra! A pesquisa qualitativa tem o objetivo de compreender um fenômeno em profundidade. A intenção não é generalizar estatisticamente os resultados. Por isso, na pesquisa qualitativa, precisamos selecionar participantes que realmente sabem falar sobre o fenômeno que estamos estudando. Existem três técnicas de seleção de participantes na pesquisa qualitativa (SAUNDERS; TOWNSEND, 2019): Seleção intencional Na seleção intencional, o(a) pesquisador(a) tem a intenção de selecionar participantes e, por isso, busca pessoas com um determinado perfil a partir do seu julgamento, com base no problema de pesquisa. Dentro deste guarda-chuva de técnicas de seleção de participantes podemos incluir a seleção teórica, a seleção de casos e a seleção oportunista. Seleção voluntária A seleção voluntária acontece de forma contrária a seleção intencional, pois são os participantes que se voluntariam a participar da pesquisa. Esse grupo de técnicas inclui a técnica snowball (bola de neve), quando o(a) pesquisador(a) pede indicação de outras pessoas com aquele mesmo perfil para os participantes que já foram entrevistados, e a técnica de autosseleção, quando os participantes entendem que têm o perfil buscado e entram em contato com o(a) pesquisador(a). Seleção casual (por conveniência) Nesta técnica de seleção de participantes, buscamos pessoas com o perfil desejado em lugares onde o acesso a elas é mais fácil. Por exemplo, entramos em contato com uma empresa que tenha funcionários com esse perfil ou vamos em algum lugar onde essas pessoas que estamos buscando costumam frequentar. Referência: SAUNDERS, M.; TOWNSEND, K. Choosing participants. In: CASSELL, C; CUNLIFFE, A.; GRANDY, G. The SAGE Handbook ofQualitative Business and Management Research Methods: History and Traditions. Londres: SAGE Publications Ltd, 2019. p. 480-492.

O que é pesquisa qualitativa?

Muita gente faz confusão quando se fala em pesquisa qualitativa! Por isso, neste post, vamos explicar o que é a pesquisa qualitativa e para o que ela é mais indicada. Assim, ficará mais fácil tomar decisões sobre o método na sua dissertação ou tese 😉 Se você preferir, pode conferir o episódio de Pesquisa na Prática, no nosso canal no Youtube, onde eu explico o que é pesquisa qualitativa 👇 (clique na imagem para assistir) O que é pesquisa qualitativa? Pesquisa qualitativa examina evidências baseadas em dados verbais e visuais para entender um fenômeno em profundidade. Portanto, seus resultados surgem de dados empíricos, coletados de forma sistemática. Diferente da pesquisa quantitativa, que utiliza números como dados e faz análises estatísticas, a pesquisa qualitativa utiliza dados em formato de palavras, frases, imagens, vídeos e áudios. Por isso, ela requer técnicas de coleta e análise de dados específicas. Abordagens epistemológica na pesquisa qualitativa Antes de decidir fazer uma pesquisa qualitativa você precisa identificar qual será a abordagem epistemológica a ser adotada. Na pesquisa quantitativa, isso não é necessário já que todas as pesquisas quantitativas são, por natureza, positivistas. Na pesquisa qualitativa, há basicamente duas possíveis abordagens epistemológicas: a mais positivista e a mais interpretativista. Para identificar a abordagem epistemológica mais apropriada para a sua pesquisa, converse com seu(sua) orientador(a) sobre isso. Também é importante verificar qual é a abordagem epistemológica mais adotada na sua área de pesquisa. Assim, ficará mais fácil de publicar os resultados de sua pesquisa em uma revista científica de alto impacto. Se quiser saber mais sobre abordagem epistemológica, confira esse vídeo no nosso canal no Youtube. Coleta de dados qualitativos As pesquisas qualitativas podem adotar uma ou várias técnicas de coleta de dados. Veja quais são as principais técnicas: Entrevistas individuais ou em grupo Uma das técnicas mais utilizadas nas pesquisas qualitativas é a entrevista. Essa entrevista é feita pelo(a) pesquisador(a) em uma conversa com o(a) participante. Essa conversa é conduzida com a ajuda em um roteiro de entrevista, para guiar os principais pontos de precisam ser abordados. Alguns autores chamam essa entrevista de face a face, já que é uma conversa direta entre pesquisador(a) e participante. Porém, essa conversa também pode ser feita através de uma reunião virtual, realizada com o auxílio de softwares de videoconferência, como o Zoom, Skype ou Google Meet. Essa entrevista pode ser realizada com um ou vários participantes ao mesmo tempo. A entrevista coletiva, também chamada de Grupos Focais, permitem identificar pontos que não seriam possíveis em uma entrevista individual graças a interação entre os participantes. O importante na entrevista é registrar a fala dos participantes em gravações em áudio ou vídeo. Assim, tudo que for falado poderá ser analisado na íntegra, exatamente como o(a) participante falou. Esse áudios são transcritos para, então, serem analisados. Anotações de campo e memos As anotações de campo também são uma fonte de coleta de dados importante quando a pesquisa qualitativa adota a técnica de observação. Assim, enquanto o(a) pesquisador(a) observa o fenômeno acontecendo, registra seus pensamentos em textos (anotações) ou em áudio. O importante é sempre anotar o mais próximo possível da observação, para não esquecer os detalhes. As memos são anotações feitas pelo(a) pesquisador(a) durante a análise dos dados. Elas são fundamentais para registrar as ideias durante a codificação e a categorização dos dados. A maior parte dos softwares de análise de dados qualitativos atualmente possui algum tipo de ferramenta relacionada a memos (mesmo não usando este nome específico). Outros documentos Para aumentar a credibilidade da pesquisa qualitativa, também é possível coletar dados complementares, como documentos, imagens e vídeos. Esses documentos podem ser relatórios de instituições ou imagens fornecidas pelos próprios participantes. Ao comparar a fala dos entrevistados com os documentos, é possível fazer a triangulação de dados, identificando se há semelhanças ou diferenças no que foi encontrado como resultado. Vale ressaltar aqui que esses documentos não são os documentos utilizados na revisão de literatura. A revisão de literatura é feita antes da aplicação da pesquisa qualitativa. Análise de dados qualitativos A pesquisa qualitativa trabalha com dados qualitativos, textos e imagens. Por isso, há necessidade de utilizar técnicas de análise específicas. Existem, atualmente, várias técnicas de análise de dados qualitativos, que podem ser adotadas dependendo do tipo de pesquisa a ser feita (por exemplo, estudo de caso ou Grounded Theory). É importante levar em consideração a abordagem epistemológica na escolha da técnica de análise de dados qualitativos, para não haver conflitos. Entretanto, apesar da abordagem epistemológica, a maior parte das técnicas de análise de dados qualitativos possui basicamente duas principais atividades: a codificação e a categorização dos dados. Assim, é possível fragmentar o texto e agrupar partes das imagens em grupos com mesmo sentido ou dentro de uma mesma temática. Depois, é possível organizar, sistematizar e sintetizar esses trechos em categorias para identificar os resultados. A Análise de Conteúdo é uma técnica bastante utilizada nas pesquisas qualitativas. Se quiser saber mais sobre essa técnica, confira o vídeo em nosso canal no Youtube. Quando usar a pesquisa qualitativa? A pesquisa qualitativa é indicada, principalmente, quando há necessidade de entender um fenômeno em profundidade, de forma detalhada. A maior parte destas pesquisas são classificadas como pesquisas exploratórias. A pesquisa qualitativa também é parte de uma pesquisa que utiliza métodos mistos. Ela pode ser empregada na primeira etapa da pesquisa, para identificar proposições que serão posteriormente testadas ou em um segundo momento, para compreender respostas de uma survey consideradas outliers. Espero que essas dicas te ajudem a tomar decisões sobre a pesquisa qualitativa no seu mestrado ou doutorado! Até a próxima!

Impactos da pandemia na sua pesquisa

Se você está preocupado(a) com os impactos da pandemia na sua pesquisa, esse post é para você. O assunto do nosso vídeo dessa semana foi a crescente busca por impactos da COVID-19 nas pesquisas científicas. Diversas pessoas têm nos perguntado como devem relacionar seus estudos (ou citar impactos) com a situação de pandemia que estamos vivendo. Nossa resposta mais simples e direta é: se você não está pesquisando nada relacionado à pandemia ou se sua pesquisa não ocorreu em contextos relacionados ou afetados, NÃO tente fazer essa relação. Não tente usar a pandemia como justificativa para algum problema na sua pesquisa. Se precisar adaptar, adapte e deixe isso claro no trabalho. Da mesma forma, evite relacionar resultados com o contexto que estamos vivendo se você não coletou dados que suportem essa relação ou se você não tinha essa comparação como objetivo. Isso não vai fazer o seu artigo ser aceito ou sua dissertação ou tese ser aprovada. Lembre-se: não estamos sugerindo que você negligencie a pandemia, apenas evite usá-la como argumento para outros problemas. Por outro lado, se a sua pesquisa tem relação com a situação que estamos vivendo e está coletando dados neste momento, você DEVE colocar a pandemia como justificativa do seu trabalho. Você também deve colocar, nas implicações, os impactos da pandemia nos resultados que você encontrou. Para saber mais sobre como lidar com isso no seu trabalho e como fazer adaptações (quando necessário) na sua pesquisa por causa da pandemia, assista o vídeo clicando na imagem! Um abraço, Felipe Lando

Web of Science - Como buscar artigos?

No post de hoje, vamos falar um pouco sobre a busca de artigos no Web of Science. A ideia é mostrar as principais funcionalidades dessa plataforma e como você pode buscar artigos científicos nela. Antes disso, dá uma olhada no vídeo que fizemos sobre esse assunto no YouTube. É só clicar na imagem para assistir 😃 Sobre a Web of Science A plataforma Web of Science faz parte do grupo de editoras Clarivate. Nela, estão indexadas as revistas pertencentes a essa editora e algumas outras editoras de publicações científicas. As principais áreas aqui indexadas são: Ciências Humanas, Administração, Economia e Educação. Buscar artigos na Web of Science não é nada diferente do que buscar em outras plataformas, como a Scopus ou a SciELO. O mecanismo de busca vai utilizar um termo constituído de palavras-chave e operadores específicos definidos por você. Já falamos aqui no blog sobre os Operadores Booleanos (neste post). Eles são de extrema importância na hora de refinar a sua busca de artigos. Interface de busca padrão Ao acessar a página principal da Web of Science, você se depara com os campos iniciais de busca de artigos (Figura 1). Aqui, você vai inserir os termos de busca que mencionei anteriormente. O termo de busca vai ser constituído das palavras-chave que melhor representam o seu tema de pesquisa. Os termos de busca utilizados podem ser pesquisados em diversas partes dos artigos. Por isso, você deve sempre se lembrar de selecionar onde quer que seus termos sejam encontrados. Figura 1 - Tela inicial Os principais campos de busca são: Tópico: A busca será feita no título, resumo e palavras-chave; Título: A busca é realizada somente no título dos artigos; Autor: A busca é realizada apenas nos nomes dos autores; Nome da publicação: A busca é feita apenas no nome do periódico; e Todos os campos: A busca é feita em todos os campos pesquisáveis dos artigos. A busca idealmente deve ser feita utilizando a opção Tópico, pois é a que apresentará os resultados mais adequados a sua busca. Quando você precisa inserir mais do que um termo de busca para refinar a quantidade de artigos, é possível clicar em Add row (Adicionar linha), logo abaixo da seleção de campos de busca. Dessa forma, uma nova linha aparece, fornecendo um operador booleano (Figura 2). Agora você pode selecionar o operador que melhor se adéqua a sua pesquisa e inserir os demais termos. Figura 2 - Segunda linha na tela inicial Página de resultados A página com os resultados da sua busca é bem simples. Nela, é possível identificar todos os artigos que satisfazem a sua condição de busca (Figura 3). Além de acessar algumas informações dos artigos, aqui você pode explorar gráficos e informações gerais referentes aos resultados obtidos, bastando clicar na opção Analyze Results (Analisar resultados) no canto superior direito. O download dos artigos somente é possível em casos onde a CAPES comprou o acesso ao periódico onde o artigo foi publicado. Sempre que o download for possível, uma opção escrita Texto Completo e o nome da sua instituição aparecerá logo abaixo do registro. Figura 3 - Tela de resultados Filtros A página de resultados conta, ainda, com uma série de filtros que você pode utilizar para refinar a sua busca (Figura 4). Os filtros estão no lado esquerdo dos resultados. Após selecionar todos os filtros que se adequam a sua busca, basta clicar em refinar e os novos resultados carregarão. Os principais filtros são: Acesso aberto: Limita os resultados àqueles ditos de acesso aberto (qualquer pessoa pode acessar); Ano de publicação: Limita os resultados para o período de tempo especificado; Categorias da Web of Science: Limita os resultados para as categorias selecionadas (categorias estabelecidas pela plataforma); e Tipo de documento: Limita os resultados por tipo de documento (artigos de periódicos, livros, artigos de congresso, entre outros). Figura 4 - Filtros Exportação de resultados A exportação de resultados não é a mesma coisa que o download dos artigos. A exportação permite que você importe as referências selecionadas na sua busca em algum programa específico para que análises sejam conduzidas (Figura 5). Figura 5 - Modos para exportar resultados De modo geral, essa é a forma como você pode fazer a busca de artigos científicos no Web of Science. Lembre-se sempre que os termos de busca são a parte mais importante de qualquer revisão de literatura em qualquer base de dados. Encontre os seus termos de busca e refine eles conforme for buscando os artigos. Nunca esqueça do seu objetivo de pesquisa, pois é ele que vai dizer se seus termos estão adequados ou não. Espero que esse post tenha te ajudado e que agora a sua busca por artigos na Web of Science seja mais fácil. Um abraço, Felipe da Acadêmica

Quando usar "aspas"?

Aspas são frequentemente utilizadas nos trabalhos acadêmicos, mas você sabe se está fazendo o uso correto dessa ferramenta? Nesse post vamos falar sobre os cuidados que você deve ter na hora de escrever o seu trabalho acadêmico quando pensar em usar as "aspas". Mas, antes do post, vamos deixar aqui um vídeo que gravamos para o canal do YouTube falando sobre as aspas. Clica na imagem para assistir: Uso adequado da aspas É comum, na comunicação entre as pessoas, o uso de sentido figurado das palavras. Muitas vezes, no entanto, precisam destacar palavras por diversos motivos ao longo do texto científico, seja com sentido figurado ou seja como forma de destaque de algum ponto importante. Para isso, muitas pessoas tem o costume de usar as aspas. Mas o que as normas ABNT dizem sobre isso? Segundo as recomendações da norma ABNT 10520 de 2002, as citações diretas posicionadas no corpo do texto deve ser colocadas entre aspas duplas. Dessa forma, sempre que uma citação for colocada no texto, é obrigatório a apresentação da referência e página do trecho citado. Tá Felipe, e o que tem a ver isso com a minha escrita? O primeiro ponto que deve ser ressaltado é com relação ao uso de linguagem coloquial e sentido figurado. A escrita científica pressupõe clareza e foco, o uso de duplos sentidos, sentidos figurados ou coloquialismo é prejudicial para um trabalho acadêmico, seja TCC, dissertação, tese ou mesmo artigo. Por isso, nada de palavras entre aspas para expressar duplo sentido ;) Seguindo esse pressuposto, provavelmente você já eliminará boa parte das aspas do seu trabalho. Mas ainda temos as palavras que queremos destacar (aqueles conceitos importantes da teoria que queremos mostrar que lemos, sabe?) Se você utilizar aspas, o leitor do seu trabalho esperará uma citação com número de página, pois entenderá que você está citando um determinado trabalho. Para que isso não ocorra, e para não infringir a norma ABNT 10520:2002, você deve destacar as palavras usando outros recursos gráficos (negrito ou sublinhado). Conclusão Tenha em mente que sempre que tiver aspas no texto, deve existir uma referência e uma página dessa referência. Essa é a forma mais correta do uso das aspas na escrita científica. Lembre-se, também, que a escrita científica deve ser sempre clara e direta, não use palavras com sentidos diferentes do descrito no dicionário! Evite constrangimentos no seu trabalho acadêmico. Espero que esse post tenha te ajudado e espero te ver em outros posts aqui do blog. Um abraço, Felipe Lando

Conversa com a orientadora do doutorado!

Você tem curiosidade de perguntar algumas coisas para o(a) seu(sua) orientador(a) e não tem coragem? Pois eu bati um papo super descontraído com a minha orientadora e gravei tudinho para mostrar para você! Neste momento, eu estou no terceiro ano do Doutorado em Administração. Minha orientadora é a Profa. Stefânia de Almeida, Dra. em Administração pela USP. Ela é uma orientadora maravilhosa! Estamos juntas desde o mestrado e ela é um dos motivos pelos quais eu decidi continuar o doutorado na mesma instituição 😏 Eu já tinha conversado com ela anteriormente no episódio #12 de Diário de uma Doutoranda, em junho de 2019 (clique na imagem abaixo para conferir essa conversa). Na época, nosso canal no Youtube era bem pequeno (menos de 100 inscritos!). A conversa foi bem legal e falamos um pouco de tudo! Vale a pena conferir as dicas dela sobre a diferença entre ser orientador e ser co-autor. Agora que nosso canal está maior (já passamos dos 4 mil inscritos 🤩), conversei com ela novamente sobre a vida de pesquisadora/professora e o relacionamento entre orientadores e orientandos. Ela deu dicas valiosas sobre esses assuntos! Como a conversa foi muito proveitosa, dividi em dois vídeos para você poder acompanhar tudo! Na primeira parte da conversa, falamos sobre as atividades de professora e de pesquisadora, e como conciliar tudo na carreira acadêmica. Também começamos a falar um pouco sobre o relacionamento entre orientadores e orientandos (clique na imagem para assistir o vídeo no Youtube). Na segunda parte da conversa, continuamos a conversa sobre o relacionamento entre orientadores e orientandos. Mais no final, falamos sobre a minha pesquisa e a nova fase que virá: minha orientadora está grávida 🤰. Ela explica como funciona a licença do orientador (que pode ser por maternidade ou por outros motivos) e como serão as atividades enquanto ela estiver afastada (clique na imagem para assistir o vídeo no Youtube). Espero que vocês gostem dos vídeos! Um abraço e até a próxima! Amália da Acadêmica

Guia de boas práticas para chamadas em vídeo

Nos últimos meses, temos nos acostumado a fazer reuniões pela internet. Porém, muitas pessoas acreditam que estão em casa e esquecem de se comportar como se estivessem em uma reunião presencial! É cada coisa que a gente vê por aí... Por isso, criamos um guia rápido de boas práticas para reuniões online! Seja para uma aula ou seja para a apresentação da sua banca, vale a pena conferir essas dicas! #1 Vestimenta Não precisa vestir um longo ou um termo para aparecer na webcam, mas não custa nada se arrumar como se fosse uma reunião presencial! Muita gente acaba arrumando só a parte de cima (que aparece na câmera) e fica de pijama na parte de baixo... E se tiver que levantar correndo??? 😨 Colocar uma roupa adequada e se arrumar é bom até para o nosso psicológico! Dá mais motivação para trabalhar ou estudar, mesmo estando em casa... #2 Ambiente Escolha, sempre que possível, um ambiente adequado para te ajudar a focar na reunião. Atente para estar em uma posição que não haja pessoas passando atrás de você. Além de poder tirar a atenção, algumas situações desagradáveis ou embaraçosas podem acontecer... Também é importante cuidar da iluminação. Fique próximo de uma janela ou use aquela lâmpada de cabeceira para ficar iluminado 💡. Caso contrário, as outras pessoas podem não te enxergar direito. #3 Equipamentos Sabe como é tecnologia, né? Quando você mais precisa, algo pode falhar... Por isso, teste seu computador ou o seu celular antes de entrar em uma reunião. Se for uma reunião importante, como a apresentação de sua banca, redobre os cuidados! Se você está usando wi-fi, uma dica é reiniciar o modem. Muitas vezes, o modem fica muito tempo ligado e pode perder desempenho. Procure, também, ficar próximo do modem. Muitas paredes ou muita distância entre o modem e você podem interferir no sinal. Por fim, vale a pena conversar com o pessoal de casa e pedir para dar uma pausa no Netflix naquele momento! Assim, você tem mais banda de internet para utilizar durante a transmissão 😏 #4 Postura Só porque você está trabalhando ou estudando em casa, não quer dizer que pode fazer qualquer coisa! Mantenha uma postura como se estivesse na reunião presencial. Procure posicionar a câmera de forma que apareça totalmente o seu rosto e comporte-se de maneira adequada. Assim, você não corre o risco de passar por alguma situação constrangedora porque esqueceu o microfone ou a câmera ligada... 😊 Quer mais dicas e ver algumas situações que podem ser constrangedoras? Confira o episódio de Pesquisa na Prática (clique na imagem para acessar)! Gostou das dicas? Compartilhe com seus colegas e amigos 🤗 Um abraço e até a próxima!

O que é retratação de artigos científicos?

Você deve ter ouvido nas últimas semanas sobre o caso do estudo publicado na revista The Lancet que foi retratado, mas você sabe o que é retratação nas pesquisas científicas? Assista ao episódio de Pesquisa na Prática, onde a Amália explica tudo que aconteceu nesse caso (clique na imagem para acessar o vídeo no Youtube). A revista The Lancet é uma publicação científica voltada à temática médica fundada em 1823. Seu índice H é 747, de acordo com o Scimago Journal Rank em junho de 2020. Isso demonstra a sua importância para a comunidade acadêmica e a grande relevância de suas publicações. Seu processo de avaliação de artigos científicos publicados é bastante rigoroso e reconhecidamente ético. Entretanto, um artigo publicado em maio de 2020 sobre o uso da Hidroxicloroquina ou Cloroquina no tratamento de pessoas com COVID-19 foi questionado e precisou ser retratado. Depois de publicado de forma online, o artigo intitulado Hydroxychloroquine or chloroquine with or without a macrolide for treatment of COVID-19: a multinational registry analysis foi alvo de questionamentos da comunidade acadêmica. Para avaliar novamente a pesquisa, a revista The Lancet contratou uma auditoria externa para que fosse feita a avaliação dos dados utilizados pelos autores. Esse tipo de auditoria iria fazer uma replicação do estudo utilizando a mesma base de dados para verificar se é possível chegar aos mesmos resultados. Porém, os autores do artigo não forneceram acesso às bases de dados alegando que isso iria contrariar os contratos com os clientes da empresa Surgisphere Corporation, fundada por um dos co-autores do artigo. Desta forma, os auditores recomendaram para a revista The Lancet que o artigo fosse retratado devido à impossibilidade de replicação do estudo. A nota de retratação do artigo foi publicada na própria revista em junho de 2020 (clique aqui para visualizar). Além disso, o artigo disponibilizado no site da revista recebeu a palavra Retracted em vermelho em todas as suas páginas. Fonte: https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0140673620311806 A retratação de uma artigo pode ocorrer por vários motivos. Neste caso, foi a impossibilidade da auditoria ter acesso aos dados e replicar o estudo, pois impede que a comunidade científica verifique a veracidade dos dados utilizados. Outro motivo de retratação de um artigo pode ser o não ineditismo. Se uma revista exige que os artigos submetidos sejam inéditos, não é possível ter parte ou todo texto publicado em outro local, como um congresso ou evento. Como evitar a retratação de artigos? Cuide dos seus dados! Muitas pessoas acreditam que depois que o artigo foi publicado, não precisa mais guardar nenhum documento utilizado na pesquisa. Isso não é verdade! O ideal é guardar todos os documentos por, pelo menos, 5 anos. Você deve estar pensando: nossa, se eu fizer isso, minha casa vai lotar de documentos! Calma! Você pode guardar tudo na nuvem! Faça o upload dos artigos em uma pasta em algum serviço de armazenamento em nuvem, como Google Drive, OneDrive ou DropBox. Muitas universidades oferecem esse serviço por meio de seus e-mails institucionais. Arquive termos de consentimento, bases de dados, artigos lidos, anotações e outros documentos utilizados durante a pesquisa. Atente para as normas da revista Outra dica importante é atentar para as normas da revista que você vai submeter seu artigo. Verifique se a revista aceita artigos que foram publicados em eventos anteriores ou se tem alguma outra exigência. Quando for enviar uma cover letter para o editor, explique o histórico da sua pesquisa, se ela é fruto da sua dissertação ou tese e se foi publicada em algum lugar anteriormente (mesmo que seja em outro idioma). Gostou das dicas? Aproveita e compartilha com seus colegas ou co-autores 👇

Transformando a dissertação (ou a tese) em artigo científico

Chegou aquele momento em que você precisa transformar a sua dissertação ou a sua tese cheia de páginas em um artigo científico com poucas palavras? Calma! Não precisa se esconder do(a) seu(sua) orientador(a)! Com essas dicas simples, você já pode começar a organizar o conteúdo e montar um artigo rapidinho! Primeira dica: Comece colocando toda a parte do texto da sua dissertação ou tese que vai virar um artigo científico em um modelo de já formatado de artigo científico (se quiser fazer o download de um modelo que preparamos, clique aqui). Assim, você já começa a visualizar o futuro artigo. Segunda dica: Confira a quantidade de palavras que você tem e a quantidade de palavras que a revista científica que você vai submeter solicita. Sim, você precisa já começar agora a decidir para qual revista você pretende enviar seu artigo. Com frequência, as revistas científicas apresentam diretrizes para os autores e apresentam a quantidade de palavras permitida em um artigo. As revistas, em geral, solicitam artigos que contenham entre 4 e 8 mil palavras. Você pode visualizar a quantidade de palavras que tem no seu artigo no Word! Basta olhar na parte inferior esquerda da janela. Se quiser consultar mais detalhes sobre a quantidade de palavras e caracteres do seu documento, clique sobre a quantidade de palavras que será aberta uma janela com todas as informações (veja na ilustração a seguir). Terceira dica: Agora é caneta vermelha na mão! Leia o seu texto e retire tudo que não é relevante para um artigo científico ou que não é necessário. Em dissertações e teses, temos bastante espaço para colocarmos explicações sobre um conceito. Porém, em um artigo científico, temos que ser bastante sucintos! Além disso, se a revista que você pretende submeter é uma revista muito específica sobre um assunto, não há necessidade de explicar conceitos que já são bastante conhecidos. Isso também vale para o método: esta parte do artigo precisa explicar o que você fez na SUA pesquisa. Os revisores já estão carecas de saber o que é pesquisa qualitativa ou quantitativa. Explique porque a SUA pesquisa adotou essa ou aquela técnica. Quarta dica: Agora é o momento de reescreva a introdução. Esta parte do texto é muito importante para chamar a atenção do editor para que ele ou ela fique curioso sobre sua pesquisa e envie para os revisores. Tente chamar a atenção para o seu problema de pesquisa já nos dois primeiros parágrafos. Para isso, você pode apresentar uma frase de alguém importante que revela a urgência do problema que você pretende resolver ou pode colocar dados e números que justifiquem o porquê da sua pesquisa. Quinta dica: Depois de fazer todas essas alterações (e outras alterações necessárias), está na hora de preparar o seu artigo para enviar para a revista. Aqui é um momento crucial, quando muitos pesquisadores esquecem de caprichar na formatação e recebem de cara uma rejeição! Sim! Formatar bem o artigo já é um grande primeiro passo para seguir no processo de revisão. Muitas revistas já rejeitam o artigo de cara se ele não cumprir os requisitos. Revise, também, todas as citações e as referências do seu documento. Precisa estar tudo certinho! Quer saber mais sobre como transformar sua dissertação ou tese em artigo científico? Confira o episódio de Pesquisa na Prática (clique na imagem para assistir). Viu como é simples iniciar esse processo de transformar seu trabalho acadêmico em um artigo? Não deixe sua pesquisa na gaveta! Um abraço! Amália da Acadêmica

Estudo de caso – como justificar?

Estudo de caso é um método de pesquisa muito utilizado em trabalhos acadêmicos (TCCs, Dissertações, Teses e artigos). Fazer um estudo de caso exige do pesquisador uma série de escolhas justificáveis que garantirão qualidade e veracidade de sua pesquisa. Estudos de caso são realizados quando você precisa estudar um fenômeno que não pode ser separado de seu contexto (do local e das condições que eles acontecem). Por isso, quando você escolhe um problema de pesquisa que exige um estudo de caso, você deve justificar essa escolha da melhor forma possível. Mas antes de falarmos das possibilidades de justificativa de um estudo de caso, deixamos um vídeo lá no canal do YouTube onde a Amália fala sobre estudo de caso único e suas justificativas. Clique na imagem para assistir 😊 Estudo de múltiplos casos Quando o seu problema de pesquisa procura compreender ou comparar um fenômeno que ocorre em contextos variados, a sua pesquisa pode ser enquadrada como estudo de casos múltiplos. Esse tipo de estudo de caso permite a comparação entre os casos e a elaboração de discussões e conclusões a partir das semelhanças ou diferenças entre os casos. Um pesquisador, no entanto, não deve confundir casos com unidades de análise em um estudo de casos múltiplos. Mas esse assunto é longo e será abordado em outro post aqui no blog. Estudo de caso único Muitas vezes escutamos que estudo de caso único não é robusto ou sólido o suficiente para serem utilizados em uma pesquisa científica. No entanto, essa afirmação não é sempre correta. Existem diversas situações que estudos de múltiplos casos não podem ser feitos e exigirão do pesquisador um estudo de caso único. Normalmente um caso único se encaixa em mais de uma justificativa, o que garante sua justificativa de estudo. Beleza, Felipe. E quais são esses casos? Vamos usar aqui, como referência, o livro Como Elaborar Projetos de Pesquisa do Antênio C. Gil (2017) para apresentar as 6 principais justificativas para estudo de caso único: Caso raro: como o nome diz, é aquele que acontece de forma rara e, provavelmente, de difícil comparação. Esse tipo de caso merece ser estudado como caso único sempre que ele for relevante para a teoria; Caso decisivo: é aquele que serve como confirmação (ou contestação) de uma teoria; Caso revelador: é aquele que um pesquisador tem acesso, mas que não está disponível para a maioria dos pesquisadores. Esse tipo de caso demanda uma maior idoneidade por parte do pesquisador que tem acesso, pois dificilmente outras pesquisas serão capazes de validar os resultados; Caso típico: é o caso que é dito a melhor representação do fenômeno estudado, o exemplo mais representativo; Caso extremo: como o nome sugere, o caso extremo é aquele que leva as condições do fenômeno estudado ao seu limite; e Caso discrepante: é o caso que se destaca por estar além dos limites do fenômeno estudado, mas ainda o representar. Conclusão Quando você optar por um estudo de caso único, tenha em mente que ele deve se encaixar em uma ou mais dessas justificativas para que seja aceito cientificamente. Se seu estudo de caso satisfaz essas condições, fique tranquilo(a), pois sua pesquisa é cientificamente válida. Espero que este post tenha te ajudado e espero te encontrar em outros posts aqui do blog. Um abraço, Felipe.

Codificação de dados qualitativos

Codificar os dados qualitativos é uma das tarefas mais importantes da sua etapa de análise em um trabalho acadêmico (tese, dissertação ou TCC). No post de hoje, vamos falar um pouco sobre a importância de uma boa codificação e como fazer com que ela não caia na armadilha do “tageamento”. A Amália gravou um vídeo para o nosso canal do YouTube onde fala sobre esse assunto. Clica aqui na imagem e assiste 😊 O processo de codificação A codificação é o trabalho do pesquisador de separar do conjunto de dados, seja entrevista, documentos, anotações, literaturas, todas as partes que são importantes para a sua pesquisa. Como já falamos nesse post, existem diversas abordagens para o processo de codificação, dentre elas a abordagem dedutiva e a indutiva. Independentemente de ser dedutiva ou indutiva, a codificação pressupõe a identificação e a separação dos trechos representativos dos dados analisados. O pesquisador destaca os principais pontos, sejam eles falas de entrevistados, passagens dos documentos, imagens, entre outros, como forma de eliminar o que não gera nenhuma contribuição para a resolução do problema de pesquisa. Evite o “tageamento” Um dos principais erros cometidos por pesquisadores ao fazer a codificação é cair na falácia do tageamento (derivado da palavra Tag em inglês). O tageamento ocorre quando o pesquisador destaca dos dados pontos que são interessantes, mas que não ajudam na resolução do problema de pesquisa. Essa prática é muito comum e ocorre frequentemente nas análises qualitativas, pois encontramos diversas informações e temos diversas ideias ao longo do processo de análise. No entanto, devemos ter em mente o problema de pesquisa e nos manter focados em encontrar apenas trechos que realmente nos ajudem a resolvê-lo. - Mas Felipe, vou perder o restante dos dados? Não! Os outros pontos importantes que você encontrar devem ser registrados e guardados para a elaboração de outras pesquisas. Tenha sempre em mente que não é uma boa prática de pesquisa ficar expandindo o seu problema para englobar todos os dados que você encontrou na sua codificação. A sintetização e o foco na solução do problema são atributos muito bem valorizados nos trabalhos acadêmicos. Espero que você tenha gostado dessa explicação e espero te encontrar em outros posts aqui do blog. Um abraço, Felipe.

Análise indutiva e análise dedutiva

Quando você está desenhando uma pesquisa e precisa escolher quais serão suas etapas de análise, é importante que você tenha em mente um posicionamento científico e siga-o à risca. Manter-se alinhado aos preceitos filosóficos da pesquisa demonstra qualidade no seu trabalho. Mas você sabe o que é e quando deve escolher entre uma análise Indutiva ou Dedutiva? Hoje vamos explorar um pouco desse assunto. Mas antes, gravamos um vídeo no YouTube onde a Amália explica essa diferença de forma muito objetiva. Clica na imagem e confere 😊 Método Indutivo de Análise A análise indutiva parte do olhar micro onde o pesquisador elevará os achados ao macro. Essa análise é aquela onde o pesquisador não possui categorias prévias. Essas vão emergir dos dados e serão parte integrante do desenvolvimento das conclusões. Na análise indutiva, você vai olhar para as suas entrevistas e vai identificar trechos que são importantes para o seu problema de pesquisa e trechos que são relevantes, mas não estão muito alinhados com o que você pretende pesquisar. Podemos fazer uma analogia, onde você fará a análise usando apenas duas canetas de marcar texto, uma com a etiqueta “importante” e a outra com a etiqueta “ver mais tarde”. O que você grifar como importante, será o conteúdo disponível para a posterior categorização e análise. Lembrando sempre que a codificação e a categorização são somente a primeira parte da sua análise. Você precisará fazer um esforço de descoberta e comparação dessas categorias com o que a teoria apresenta para chegar às suas conclusões. – Felipe, não entendi nada!! Calma, deixa eu simplificar mais. Se você não tem categorias e conceitos estabelecidos na sua revisão de literatura e você quer ver o que seus participantes falaram, sem julgamentos prévios, você fará uma análise Indutiva. Método Dedutivo de análise Na análise Dedutiva o pesquisador parte do macro e identifica no texto analisado (micro) vestígios analíticos que se adequem aos conceitos no nível macro. Essa análise é aquela onde o pesquisador possui um quadro analítico (categorias) pré-estabelecido o qual será usado como guia para identificar as passagens do texto analisado (ou entrevista transcrita) que melhor expliquem aquele conceito ou categoria. Usando a mesma analogia das canetas de marcar texto, agora você vai olhar os seus dados com uma ou mais canetas, cada qual rotulada de acordo com uma categoria ou conceito. – Continuo sem entender nada, Felipe!! Simplificando. Se você fez uma revisão de literatura e encontrou códigos ou conceitos que você quer verificar se eles aparecem nos seus dados, você está fazendo uma análise dedutiva. No exemplo da foto: conceito de materialismo e experiencialismo. Conclusão Essas são as diferenças essenciais entre esses dois tipos de análise. Existem outras abordagens analíticas tais como Hipotético-dedutiva e Dialética, mas vamos deixar esse papo de doido para outro post aqui no blog. Métodos dedutivo e indutivo são os mais comuns e, provavelmente, serão a solução aos seus problemas =) Espero te encontrar em outros posts aqui do blog. Um abraço, Felipe.

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